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Porque fazer intercambio?
Por que fazer intercâmbio?
Por pelo menos,um milhão de motivos!!!


É difícil o trabalho estar distante da vida e da história de uma pessoa: Begnini inspirou-se em seu pai (que esteve em campos de refugiados por ser judeu) para dirigir La Vita è Bella, tanto quanto Tajfel ou Adorno (psicólogos que estudaram profundamente a origem do anti-semitismo) orientaram-se pelos horrores de guerra dos quais foram testemunhas em campos de concentração. Leon e Rebecca Grinberg são argentinos e escreveram “Psicoanalisi dell' emigrazione e dell'esilio” depois de terem vivido por um grande período de tempo em Israel e na Espanha.

Eu não sou diferente e um intercâmbio que deveria durar 6 meses, felizmente passou a ser 4 anos. Na verdade, hoje sei, que quando a gente faz intercâmbio ele tem data pra começar, mas não tem data pra terminar. A gente passa o resto da vida com a “marca” àquela conhecida, de quem já foi estrangeiro alguma vez na vida.

     Fiquei 2 anos estudando psicologia em Madrid. Lá surgiram as primeiras questões em minha mente: como a psicologia não havia parado ainda para estudar esses fenômenos tão comuns aos estrangeiros? A adaptação, o relacionamento com as famílias hospedeiras, as dificuldades com o idioma?  Pois foi na busca dessas respostas que acabei conhecendo a cross-cultural psychology e o Centro de Acogida a Refugiados y Exilados – dois grandes achados entre teoria e prática em minha vida!

A Psicologia Intercultural tem um olhar muito especial sobre nós, estrangeiros. E dá compreensões e respostas muito boas ao porquê algumas pessoas têm facilidade de adaptar-se e outras não. Ocupa-se também dos hospedeiros, quais características são necessárias para um povo ou uma comunidade serem mais hospitaleiros ou não. Enfim, olha o comportamento humano sob a força da influência cultural.

Depois de Madrid morei em Roma. Lá, estive trabalhando no Progetto Gioventtú per l`Europa, na preparação de italianos que iam fazer intercâmbio também. E finalmente, em 1995 morei em Louvain-la-Neuve, na Bélgica e conheci o Centre dês Etudiant Etrangers. Lá, auxiliava na adaptação do estudante estrangeiro que chegava e na adequação deles em suas situações hospedeiras.
Depois disso voltei ao nosso querido Brasil. Comecei a dar treinamentos interculturais (cross-cultural trainings) para os brasileiros que vão para o exterior. Os treinamentos são como cursinhos pré-vestibulares, só que nesse caso, é pré-embarque. Objetivo? Que as pessoas não passem tanto trabalho! Que sofram menos com o objetivo de adaptarem-se! Que fiquem mais espertas e perspicazes á respeito de sua própria cultura e da cultura de acolhida. Realmente, para se fazer intercâmbio não basta saber apenas um idioma, precisa-se aprender muito sobre si mesmo e sobre o outro, sobre a arte do encontro.

Entre os receios mais comuns das pessoas que vão morar fora estão o medo de não se adaptar às diferenças locais, as dificuldades com o idioma, a performance na escola ou no trabalho e a saudade de tudo que tem ligação com o país de origem. Claro que há pessoas que têm mais chance de se adaptar à vida em outro país.  Geralmente tem melhor adaptação a pessoa que é bem informada, mais aculturada por vivências pessoais, com menor grau de etnocentrismo – ou seja, mais tolerante e flexível a outras culturas e tem facilidade nas negociações interpessoais.
Pela minha experiência vejo que não há diferença de idade quando o assunto é adaptação.  Tanto faz lidar com um adolescente ou um adulto, porque as dificuldades no exterior como aculturação, isolamento, integração são comuns a todos que vivem numa comunidade distinta – os estrangeiros se igualam em alegrias e sofrimentos, essa é a marca deles, viver no exterior é uma experiência solitária, só quem já viveu pode saber. Como eu costumo dizer: - A viagem é a arte do encontro: o encontro consigo mesmo!

É romper fronteiras, limitações, preconceitos, inseguranças e barreiras culturais, é praticamente nascer de novo (quem já fez, sabe do que estou falando!) Auto-conhecimento, reflexão, um repensar permanente sobre suas percepções, sobre seu modo de comunicar, pensar e agir, são tarefas implícitas no processo de intercâmbio  que muitas vezes passam desapercebidas. Os intercambistas, convém ressaltar, são indivíduos que, repentinamente, estarão separados de tudo o que lhes é familiar.

De que existe um crescimento e um enriquecimento pessoal durante o intercâmbio, não há dúvidas. Basta ouvirmos os relatos dos returnee” e veteranos ou dar uma olhadela para as agências de intercâmbio cujos diretores são, na sua grande maioria, ex-intercambistas. Mas os resultados vão além do plano individual e estendem-se ao coletivo: ao aprender a aceitar e a conviver com a diferença, ao se sensibilizar com as minorias (por sentir-se parte delas quando se encontra sozinho, no exterior), ao suplantar seus preconceitos e pudores e dar-se conta da interdependência e da necessidade que temos uns dos outros, uma noção nova de realidade nasce nesse indivíduo.  Uma noção de cidadania e de responsabilidade social. Uma das grandes vantagens de desenvolver essa noção de responsabilidade é tornar-se sensível  a todos os seres, independente de cor, raça, credo, religião ou nacionalidade. Esses jovens voltam, na sua grande maioria, com um sentimento de cidadania  ampliada, onde uma vez necessitando de outras pessoas no exterior, voltam e procuram  “retornar” ao próximo - ao seu vizinho, sua Irmã mais velha, seu jardineiro, sua empregada doméstica - a solidariedade que lhes foi oferecida.  Além do que, ao avaliarem a nova realidade que encontram e compararem àquela deixada para trás, uma conclusão inevitável desponta:  a de que todos somos iguais.  Dessa maneira, uma nova forma de vida realmente parece nascer, segundo a qual os indivíduos poderão estar separados por nacionalidades, mas unidos por um lastro comum de solidariedade e ética.

Do ponto de vista profissional, as conseqüências do intercâmbio também farão presença no futuro desses jovens, através de suas escolhas e oportunidades profissionais. Cada dia mais as empresas nacionais e internacionais, assim como órgãos públicos do país, requerem no seu quadro funcional jovens com experiência no exterior, pois sabem que essas pessoas têm perfil arrojado,  iniciativa, flexibilidade, criatividade, coragem, determinação.

Finalmente, do ponto de vista familiar, os pais sentem juntamente com seus filhos, o legado que o intercâmbio tem a deixar. Passam por experiências semelhantes ao se depararem com o desconhecido e as inseguranças que a ausência prolongada de seu filho traz. Para muitas famílias, esse é um aspecto que gera profundo sofrimento, logo compensado pelas conquistas e vitórias que o filho alcançará.  Quem foi não será o mesmo que volta, pois terá aprendido muito à respeito de tolerância, generosidade, altruísmo, poder pessoal de marcar a vida das pessoas de forma positiva e genuína. Isso gera auto-estima, autoconfiança, orgulho em si mesmo e na sua capacidade. E para os pais, essa é a grande recompensa.

Andréa Sebben (M.D.)

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